domingo, 27 de junho de 2010

Ainda Sobre As Mulheres da África, Filmes E Otras Cositas Mas...


Ao fazer o post sobre cultura e atraso, mulheres e submissão, minha intenção era fazer as pessoas refletirem, saberem, repensarem. Não só sobre a África, mas sobre nossa própria cultura.
Recebi dois comentários da fotógrafa Grace Olsson, que até agora, não entendi se me recriminava por estar falando sobre um assunto que não conheço bem, visto que realmente, nunca fui à África, ou se ela concordava e mostrava o quanto ela conhece do povo e das mulheres africanas.
Eu, humildemente, reconheço que o que sei sobre o assunto é apenas o que leio e tenho visto em documentários, reportagens e que ela deve realmente conhecer bastante a cultura da África, visto que vai pela décima vez ao continente africano.
Estou aberta à divulgação de qualquer coisa referente às sua viagens e fotos da África, Grace.
Minha intenção ao falar sobre um determinado assunto é levar informação e reflexão às pessoas.
Não sou, de maneira alguma expert em tudo. Acho que é válido levantar questões pertinentes, fazer as pessoas conhecerem e refletirem sobre coisas em que normalmente não pensamos.
Agradeço à Luma do blog Luz de Luma e à Grace  por podermos debater questões tão sérias como essas, ouvindo opiniões abalizadas sobre o assunto. Concordo totalmente com a Luma sobre o que ela fala sobre as mulheres brasileiras e acho que qualquer modo de chamar a atenção para questões tão relevantes, vale a pena.
É o que venho tentando fazer aqui, em meu blog.
Essa mulher belíssima é a ex modelo Waris Dirie, somali que foi vítima da ablação (mutilação do clitóris) aos 5 anos de idade. Aos 13, fugiu de casa, pois teria que se casar com um homem com idade para ser seu avô,  atravessando o deserto e depois indo para Londres onde foi descoberta por um caçador de modelos.
Sua militância contra a mutilação genital feminina a tornou Embaixatriz da ONU, Chevalier de La Legion d'Honneur na França, entre outras premiações, em reconhecimento à sua luta pelo fim dessa barbárie.
Waris criou uma Fundação com seu nome, dá palestras, escreveu um livro que virou best seller, Flor do Deserto, que agora, se transformou em filme.
Já conhecia a estória da Waris mas não sabia dessa fundação e queria compartilhar essa estória  de sofrimento e superação com vocês.
Imperdível! Outra estória de sofrimento, superação e, principalmente, grandeza.
Ainda não tinha visto esse filme de Clint Estwood, no qual Morgan Freeman faz o papel de Nelson Mandela e merecia ter ganho o Oscar por sua interpretação magnífica do líder sul africano.
Através dele se pode ver porque Mandela ganhou o Nobel da Paz e porque esse homem, cuja grandeza superou todo os sofrimentos pelos quais passou, pode ser considerado um dos maiores líderes que esse planeta já viu.
Mandela passou 27 anos preso por questões ideológicas e sua pena incluía quebrar pedras a marretadas.
Pois esse homem, não só perdoou seus algozes, como uniu a África do Sul, pós apartheid. Um filme magnífico, com atuações magníficas sobre uma estória real e emocionante.

Também ainda não tinha visto esse filme, sempre que via passando não me dava vontade de assistir, mas após a morte do Saramago fiquei curiosa. E, que surpresa! O filme é simplesmente fantástico!
Uma metáfora sobre a existência humana, nossos valores, certezas, iniquidades de uma beleza e crueldade impactantes.
Fiquei impressionada com a qualidade do filme de Fernando Meireles, com as interpretações estupendas e, principalmente, com as lições que deveríamos depreender desse Ensaio sobre a Cegueira.
Todo ser humano com um mínimo de sentimento e gosto pela reflexão deveria assistir. Um filme daqueles para se ficar pensando depois que acaba.
Mais um! Esse foi um fim de semana sensacional em termos de filmes pra mim.
Esse documentário sobre o Simonal, com imagens de época, depoimentos, isento e sem pré julgamentos, sobre um dos maiores cantores brasileiros e sua trajetória meteórica e também tristíssima, é um filmaço!
Eu gostava muito do Simonal e não me recordo das coisas que aconteceram a ele, sua perseguição pela "elite intelectualizada", as acusações que lhe fizeram de "dedo duro" na época da ditadura, seu talento incontestável, sua ascensão e sua queda.
Através do filme, se vê que o homem era um show man completo: cantor maravilhoso, carismático, bonito, rico, num país onde na época, negro não podia subir na vida sem ser tachado de arrogante. Era imperdoável que um negro chegasse aonde Simonal chegou em termos de sucesso e dinheiro. Dava inveja, raiva num país onde o racismo sempre viveu meio que escondido.
Que cada um tire sua conclusão sobre sua culpa ou inocência. Mas, uma coisa não se pode negar, independentemente do que tenha feito, seu talento era indiscutível e inegável. E quem saiu perdendo com seu ostracismo, fomos nós, o público.
Termino esse post com um convite: quem puder ajudar na causa da Waris Dirie, divulgue sua fundação ou dê donativos.
As mulheres do planeta, nas quais eu me incluo, agradecem.

18 comentários:

Tia Ném disse...

Olá, Glorinha.

Dos filmes citados, assisti assim que foi lançado, Ensaio sobre a Cegueira. É realmente um filme fantástico!!

Ele fica por muito tempo em nossa memória, martelando... como somos felizes e não sabemos com todo o nosso corpo funcionando perfeitamente.

Quando estou em Juiz de Fora-MG, convivo muito pelas ruas com cegos.
Na cidade têm um Instituto dos Cegos e devido a isso, muitas pessoas de várias cidades e estados procuram por atendimento.

Acho que a UFJF, atrai também as pessoas em busca de tratamentos devido ao curso de Medicina que é muito conceituado.

Então, ficava observando as pessoas de todas as idades e sexo atravessando as ruas. Infelizmente, somente alguns postes do centro da cidade possuem endereços em Braille para facilitar a vida deles...estão sempre precisando de alguém para uma ajudinha convivendo em uma cidade com 500.000 habitantes...é triste!
Seria maravilhoso, se todas as cidades adotassem a escrita nos postes. Um cego experiente consegue ler duzentas palavras por minuto.
É lamentável imaginarmos, que Louis Braille morreu no ano em que seu método foi oficialmente adotado na Europa e América.
Viu! Dá confiança, rsrsrsrs, olha como ocupei seu espaço,kkkkkkk

Uma ótima semana prá vc e familiares...bjs: Tia Ném.

Amica Philosophiae disse...

Oi Glorinha!
Obrigado pelas felicitações!!
O livro é muito bom não é mesmo???!! Dei uma pausa neste fim de semana, mas vou voltar pra ele logo que eu largar a internet!!
Esta semana assisti Invictus, e achei maravilhoso!!! Sem contar que não é nada maç ver o Matt Dammon...rsrsrs...
Um bjo
Cynthia

Renata disse...

Boa noite minha amiga!

Morgan Freeman como Mandela, foi sensacional, e a vida desse homem tinha mesmo que virar filme, e merecia sim um Oscar!

Yoyo Pizy disse...

Glorinha,
Li opost anterior mas infelizmente não consegui comentar pelos motivos que já expliquei em meu blog.
Você está de parabéns por divulgar q questionar sobre fatos, costumes, culturas(há o que muito o que se discutir sobre isso)e barbáries.
É uma reflexão pela qual todas as pessoas do mundo deveriam passar, afinal já estamos no século XXI e certas coisas, hoje em dia são inadimissíveis, mesmo.
Bjo de boa noite.

Espero estar mais presente aqui, essa semana

Taia Assunção disse...

Acho que o comentário da Grace veio mais no sentido de complemento ao seu texto. Fez parte do debate e reflexão proposto por você. Acredito que em nenhum lugar do mundo a vida seja fácil para nós mulheres, umas sofrem menos e outras sofrem mais. Tem coisas que não dá par compreender e usar a cultura como pretexto é inadmissível. Para mim que vivo no Continente há quatro anos é difícil ver alguns textos e documentários, ainda sabendo que tem muito de verdade. Sou bairrista e não gosto que coloquem tudo no mesmo balaio. Mas faz parte, não dá para contemplar a todos os assuntos. É o mesmo que falarem só de violência, tráfico, corrupção, carnaval e bunda no Brasil...e o resto, onde fica? Tem tanta coisa linda que também merece ser contemplada. Mas é claro, cada um prefere uma temática. Quando fomos convidados a ir para a Zâmbia eu só pensava em guerra, pobreza, AIDS e outras mazelas que assolam o continente. Fiquei tão feliz com o que encontrei. No Congo a vida é mais difícil, mas nem por isso impossível. O filme Invictus é ótimo. Ainda não vi o filme "Ensaio sobre a Cegueira" mas está na lista, filha mais velha é fã do Saramago e já o havia me indicado. Também já havia visto críticas excelentes sobre esse documentário "Simonal"...enfim, vivendo aqui fica difícil poder manter-me atualizada sobre livros e filmes...mas vamos que vamos. Não se pode ter tudo...rsrsrs. Nunca havia ouvido falar sobre Waris Dirie, vou procurar saber. Beijocas e boa semana. ;-)

Cucchiaio pieno disse...

Querida Glorinha
Desculpe-me nao ter vindo por aqui antes, mas 6a feira fiz meu post sentindo uma grande enxaqueca, comecei a escrever nos blogs amigos e nao suportei mais, passei o fim de semana de cama com febre! Hoje estou um pouco melhor, mas estou no pc escondida do Michele - hehehe, pois devo estar de repouso!

Que lindo post! Tenho muita piedade pelas mulheres africanas, aqui na Itália é cheio delas, praticamente todas vem fujindo de guerras, violência e fome. A mutilação genital é o cumulo da violência!
Assisti o filme Invictus e amei, é emocionante.
Um grande abraço
Léia

Cucchiaio pieno disse...

Mais tarde irei telefonar pra você.
Bjim
Léia

Mari disse...

Oi Glorinha, foi mt válida a discussão proposta por vc sobre o que ocorre em nome dos costumes.

Dos filmes eu já assisti quase todos, menos o último. Não conheço a históra do Simonal, um bom meio de aprender.

Beijos

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Esse post e seu parecer estão tão completos q nem preciso falar nada.
O documentário do Simonal vi esses dias, é de chorar. O assassinato moral de um grande talento.

Outros tb que foram mto injustiçados foram os Simonsen.
Perderam a Panair, a Excelsior, o grupo de exportação de café, tudo por apoiar a democracia e serem contra a ditadura da época. Pagaram caro, um dos maiores grupos empresariais do mundo foi quebrado em menos de 5 anos.

Eh de chorar! Revolta a gente...

Glorinha L de Lion disse...

Oi Nem, minha irmã é professora de cegos, no Instituto Benjamim Constant no Rio, agora é coordenadora não dá mais aulas, e é realmente um dos sentidos mais importantes, a visão, mas acho que não é disso que o filme trata ne´? É de uma cegueira maior que a cegueira dos olhos, é a cegueira da alma. Beijos.

Oi Cynthia, o livro é bom, mas às vezes, maçante não está achando? Mas a estória é muito boa. Beijos.

Oi Renata querida, realmente o Morgan Freeman dá um show, ele ficou até parecido fisicamente com o Mandela, né?
Beijos.

Yoyo, obrigada, minha intenção é essa, se consigo não sei. Mas vou tentando trazer reflexões pra cá. Beijos.

Glorinha L de Lion disse...

Taia, vc é uma que vê tudo isso in loco e deve saber bem do que falei. Claro que a África não é só isso, imagino que deva ter belezas e fatos interessantes e tb relevantes, mas queria chamar a atenção para o que se faz em nome da cultura, tanto aqui como lá, que bom que me entendeu. Beijos.

Leinha querida, espero que esteja melhor, mas não abusa, tá? Beijos querida amiga!

Mari vale muito a pena ver o filme do Simonal, é um show ouví-lo cantando com a Sarah Vaughn! o cara é bom demais. Obrigada por concordar comigo. Beijos.

Oi Alexandre, quantos e quantos perderam tudo por apoiar a democracia e quantos se deram bem apoiando a ditadura né? Enriqueceram, encheram os bolsos como a família Sarney e o pior, continuam aí, se perpetuando no poder. ô país! Beijos.

Chica disse...

Como é interessante poder ver e analisar comportamentos, nas mais diferentes culturas.

Ter essa oportunidade, em qualquer forma de reflexão sobre elas apenas acrescenta!Lindo post!beijos,chica( o anterior também)

ELA disse...

Olá, Glorinha.

Obrigada pelos elogios e pela gentileza da visita no jANELA pESSOAL.

O blogue da Luma é praticamente um fórum! Um espetáculo a interação que acontece ali! Fico feliz de poder interagir também e ainda mais feliz por fazer novas amizades em função disso.

Já ouvi falar muito de você. Das blogagens coletivas. Achava um barato as postagens com tema de cores. Minha lista de blgues virava um colorido só e eu tinha vontade de ler todos, mas não conseguia.

Sobre seu post atual, concordo com a análise do filme do Meireles baseado no livro do Saramago. Algumas cenas do filme me chocaram muito e fiquei pensando sobre tudo que as pessoas são capazes diante do caos.

Vi que você responde aos comentários aqui mesmo. Como tenho poucos leitores, não costumo fazer isso. Normalmente vou ao blogue e escrevo. Falo isso só para você ficar sossegada quanto à importância do seu comentário para mim, ela existe e por isso cá estou.

Também foi um prazer conhecê-la!

Um abraço,

Michelle

Lu Souza Brito disse...

Glorinha,

Acho que estes temas que nos faz refletir são sempre muito bons e não necessariamente as pessoas tem que pensar como nós não é mesmo?

Alguns sabem um pouco mais, outros menos e assim vamos aprendendo, abrindo a mente, enfim.

Já li bastante a respeito dessa modelo e da sua luta contar este tipo de crime.

Eu assisti o Invictus a pouco mais de um mês, fiquei fascinada também. Quanto a Ensaio sobre a Cegueira, sempre falo que vou assistir, mas vai passando e a gente esquece. Com esta recomendação, vou ver se não deixo passar.

Adoro as propostas de reflexão que você aborda aqui no Blog.

Grande beijoka para você!!!!

Bombom disse...

Olá Glorinha! Estou de volta e logo que cheguei vim fazer-te uma visitinha, para ver como estavas. Fiquei um pouquinho mais descansada (estava mesmo preocupada contigo, deve ser coisa de avó velhota,he,he).
Li por duas vezes o teu post sobre os Primitivismos que ainda hoje se cometem contra nós, Mulheres e a minha alma chorou...nem consegui fazer qualquer comentário!No dia seguinte vi que nos comentários outras pessoas, mulheres e homens já tinham dito quase tudo o que eu queria ter escrito. Achei linda a maneira como apresentaste um problema tão dramático! E é tão urgente debater este tema para ajudar a mudar consciências!E afinal o "politicamente correcto" não é mais do que uma capa na qual se escondem os cobardes e os incompetentes ou os que têm interesses escondidos...
Gostava de felicitar os teus comentadores pois enriqueceram bastante o teu trabalho.
Eu já conhecia a história da modelo somali Waris Dirie, mas não sabia que ela tinha criado uma Fundação.Abençoada ela seja!
Obrigada Glorinha por abanares as nossas consciências! Bjs. Bombom

Beth/Lilás disse...

Maninha,
Você sabe que eu tô mals, né! Não tenho ânimo nem para escrever no meu blog tal a bendita tosse que não quer me largar, mas vim aqui para dizer-lhe que seu post foi muito bom pois, embora eu já tivesse lido sobre este e outros assuntos sobre a África, não conhecia o caso desta mulher a quem você se refere e o trabalho de grande importância que ela tem.
Sobre os vídeos preciso pegar urgente para ver, mas vou esperar o maridex voltar para vermos juntinhos.
um beijo grande

Eduardo disse...

Glorinha, esse tema ilustra bem que o seculo XXI nao chegou para todos; ainda existem muitos paises e pessoas que vivem na idade media; pessoas subjugadas por religioes e "culturas" absurdas, sem lugar no mundo civilizado de hoje. Infelizmente ainda vai demorar muito para sairem do obscurantismo. O mais dificil eh dar o primeiro passo rumo ao conhecimento e a razao; depois todas essas crencas e praticas caem como um castelo de cartas. Se voce ja tentou salvar algum crente das garras do pastor voce vai entender porque eh tao dificil conseguir dar o primeiro passo. A ignorancia aliada a ingenuidade cria um muro impenetravel, alem de que os que se beneficiam com essas praticas (pastor, dirigentes,etc) tornam o muro mais impenetravel ainda.
Um abraco
Shrek

cantinho she disse...

Glorinhaaaaaaaa que maravilha de post! Parabéns! Sensacional abordagem, análise e sensibilidade, obrigada pela dica, pois ainda nao vi nenhum, mas vou providenciar!
Beijo, beijo Queridona!
She