domingo, 18 de outubro de 2009

Catedrais...

Vitral da Catedral de Reims - França
Catedral de Reims - Notre Dame de Reims




Santa Maria dei Fiore - Duomo de Florença



Catedral de Milão - Duomo de Milão
Como já falei antes, estou lendo o livro Trem Noturno para Lisboa.
E hoje vou citar um trecho, uma das mais belas passagens que já li na vida...Traduz exatamente o que penso e sinto sobre as religiões...
E, resume tudo o que ando pensando e sentindo nestes últimos tempos...
Que as pessoas religiosas não se ofendam, pois apesar de não ter nenhuma crença, respeito imensamente quem as tem.
Também sou uma pessoa que ama o próximo, a natureza, os animais, e, isso, não se precisa de religião alguma para se ter...conheço várias pessoas que se dizem religiosas e que não poderiam ser mais cruéis, falsas e sórdidas...Ao contrário do que muitos religiosos pregam, hoje, que não tenho mais fé, perdi o medo da morte...pois acho que o que apavora as pessoas é o medo do que virá depois...como acho que não virá nada, não tenho mais medo de nada...
Eis aqui alguns trechos da mais bela e lúcida descrição da oposição entre fé e liberdade que já li na vida:
"Não quero viver num mundo sem catedrais. Preciso da sua beleza e da sua transcendência. Preciso delas contra a vulgaridade do mundo.
Quero erguer o meu olhar para seus vitrais brilhantes e me deixar cegar pelas cores etéreas..."
..."Preciso do seu silêncio imperioso. Preciso dele contra a gritaria no pátio da caserna e a conversa frívola dos oportunistas"...
..."Amo as pessoas que rezam. Preciso da sua imagem. Preciso dela contra o veneno traiçoeiro do supérfluo e da negligência"... "Preciso da força irreal da sua poesia"...
..."Um mundo sem essas coisas seria um mundo no qual eu não gostaria de viver.
Mas existe ainda um outro mundo no qual eu não quero viver: um mundo em que se demoniza o corpo e o pensamento independente e onde as melhores coisas que podemos experimentar são estigmatizadas e consideradas pecado"...
..."Como podemos ser felizes sem a curiosidade, sem questionamentos, sem dúvidas e argumentos? Sem o prazer de pensar?..."
Trecho de Trem Noturno para Lisboa - de Pascal Mercier
Fui deixando de acreditar aos poucos...fui uma criança que ía à missa todos os domingos, fiz primeira comunhão...mas sempre questionei tudo, nunca acreditei cegamente...Depois comecei a enveredar para o espiritualismo, até que cheguei num ponto em que meu lado racional não podia mais aceitar o que não se pode provar...li sobre tantas coisas, que hoje, para mim, nada existe além daqui.
Se eu gostaria de ter fé? Claro que sim. A fé consola, a fé nos entorpece e nos faz ter esperança de que não somos apenas um grão de areia.
Mas, infelizmente, não a possuo...a mim só resta apreciar a beleza e o silêncio das catedrais, tendo cada vez mais consciência de que não sou nada e nada mais haverá depois que eu partir...
Hoje e só hoje é dia de ser feliz...aproveitemos cada minuto, cada momento, pois essa é a única vida que temos.






13 comentários:

Daniele Larri disse...

Glorinha,
Gostei do post de hoje....mas acho estranho pensar que nao existe nada depois da morte....pq isso tornaria tao inútil a nossa existência....e ao mesmo tempo, igualmente injusta.
bjo
Daniele

Vagamundos disse...

O Duomo de Florença e Milão já constam do nosso album de fotografias. E são ambas catedrais impressionantes. A Catedral de Reims vai já para a lista :) Bela escolha da citação: uma verdadeira lição de vida.
beijinhos

Dan disse...

Oi Glorinha,

As Cadetrais vêem da Idade Média, sua grande contribuição para a humanidade. Idade das Trevas que nada. Lindo trecho, ótimo livro.

Conheci seu blog, visitando o da Cris, Canto de Contar Cantos e o achei muito legal.
Dê uma passada no meu, acho que vai gostar dele, http://dan-poucodetudo.blogspot.com/, vou ficar muito contente.

Abraços

Silvana disse...

Oi Glorinha!

Estava lendo com mais calma suas postagens e me encontro num questionamento semelhante ao teu.

Escrevi em meu blog, que tem apenas 1 mês, sobre livros em duas postagesn, totalizando 4 livros. Inclusive falei de Thomas Mann! E foram os assuntos que menos interessaram às pessoas. Ninguém comenta ou lê, passa batido.

Meu blog foi feito para buscar em meu interior alguma força, pois há um tempo padeço de uma tristeza quase incurável, uma depressão que não há meios de me abandonar.

Mas chego à conclusão que a diferença e o isolamento que tenho fora da net é o mesmo que aqui: se falar de futidades estaremos cercados de amigos, do contrário será condenado...

Eu, como vc, não sei direito que rumo tomar, mas chega uma hora que a gente se cansa - simples assim.... Já me angustio pois sei que esse dia chegará.

Meu desejo era discutir temas mais relevantes, com pinceladas de distração e artesanto. Mas acho que estou ficando refém do que condeno, pois fico postanto um monte de bobagens...

Apareça para comentar.

Beijoooooo

Paula Pacheco disse...

Glorinha que post mais interessante, eu fui batizada quando cheguei ao Brasil, fiquei tempos sem ir a igreja, até que casei, fui morar com minha sogra a qual é fervorosa em fé...aprendi muito com ela, quando mais preciso, rezo muito, não espero que Deus me de tudo, mas é que a fé reanima as minhas esperanças....eu acredito, isso me faz sentir melhor. Caso não seja atendida, não fico triste, encaro mais como um novo desafio e sigo em frente..
E não gostei do seu post querendo desistir viu...olha lá hein...adoro este cantinho seu...
bjs
Paula

Açuti disse...

Oiiii Glorinha!!!

Tudo bem com vc??

Nossa super obrigada pelo carinho lá no meu canto!!!

Adorei seu bloguito também e virei fã e seguidora!!!

bjkssss e excelente semana!!!

Gina disse...

Olá, Glorinha!
Vim até aqui através da Paula Pacheco e aceitei vir tomar um café com bolo com você...
Para mim, a religião tem que servir de consolo, tem que fazer as pessoas crescerem moralmente, dar esperança.
Deve ser triste não acreditar que exista nada mais depois da morte, mas se isso transforma você numa pessoa melhor, se a impulsiona a viver da melhor maneira possível, acreditando que essa é a única vida, em comunhão com todos os seres, é de grande valia.
Convivo bem com pessoas de várias religiões, mas lamento as intolerâncias, os radicalismos, matar em nome de Deus, só ajudar as pessoas que são da mesma crença, coisas desse gênero.
Estive em Florença ano passado e me deparei com essa construção belíssima. Essas obras dos homens atravessam séculos, até milênios, como as pirâmides do Egito e deixam uma prova de que a inteligência humana é capaz de fazer maravilhas, mas são resultado de um poder maior, um dom sobre-humano. Assim eu acredito.
Bem, vou parar por aqui, porque esse assunto dá pano pra manga...
Vou adicionar seu blog.
Bjs.

welze disse...

Prazer de pensar. Que coisa linda!. E tem gente que não percebe o quanto é feliz por exercitar esse simples prazer.

Silvana disse...

Oi Glorinha!

Adorei teu retorno e espero que possamos conversar sobre livros e cultura muitas vezes!

O Tutu está bem melhor, obrigada. Os olhos desincharam muito.

Eu tb tinha cisma de gatos, mas hoje os adoro. Mas não abro mão de ter cachorros.

Tenho um collie e um cachorro parecido com o teu peludão :O)

Ele é misturado com sheepdog e husky. Já tem quase 10 anos, é gigante, doce, carinhoso, muito mansinho... Um vovozinho adorável que amo muito. A cara dele é igual a da sua dog.

Vou tirar fotos dele e depois coloco na blog pra vc ver meu fofucho!

Beijooooooo

Silvana disse...

Esqueci de falar: linkei vc lá no meu blog! :O)

Espero que não se importe.

bjs

Minha Paixão Por Filmes disse...

Oi, Glorinha!
Fiquei louca pra ler esse livro!Olha, eu confesso que concordo com vc, mais algumas coisas eu contesto!
É muito estranho pensar que acabou aqui...mais ao mesmo tempo, como vamos saber?!
Quando vamos marcar de juntar uma galera para o Clube de Leitura?!
Bjs,Rozani

Açuti disse...

Oi Glorinha

Adorei a sugestão da denuncia no jornal da Globo, sabe me dizer em qual deles que consigo realizar essa denuncia??

bjkssss

Cris França disse...

Glorinha, todo mundo tem fé, só não sabe disso.
Um fé de mais...uns fé de menos...mas todo mundo tem fé...
Brincadeira, olhe eu te lendo, lembrei-me de Érico Veríssimo e seu lindo livro Olhai os Lírios do Campo , você já leu?
Sobre os vitrais das catedrais, já me perdi por horas namorando-os em silêncio, dessas obras arquitetônicas maravilhosas que são as igrejas antigas.

beijos