domingo, 21 de março de 2010

Moby Dick Me Contou...

Não sei porque, ( mas desconfio) ando pensando há umas duas semanas no livro Moby Dick, de Melville...
Eu o li na minha adolescência e essa obra perturbadora ficou no meu inconsciente durante anos...
Meu pai tinha uma coleção dos grandes clássicos da literatura universal e me lembro de desafiar a mim mesma a lê-los todos...Ia pegando um ou outro, conforme o assunto mais me agradasse e, assim fui lendo, formando minha personalidade, minha consciência, minhas escolhas na vida.
Lembro bem do dia em que resolvi ler Moby Dick, um calhamaço de quase 600 páginas, que confesso, até hoje não sei como consegui ler e me interessar aos 13 ou 14 anos, quando a maioria de meus amigos, sequer tinham lido Monteiro Lobato.
Recentemente, comprei a edição de luxo da editora Cosac Naify e ando pensando em reler essa obra prima que tanto me encantou na juventude...
Porque ando pensando tanto nele ultimamente?
Hoje, especialmente, acordei com vontade de folheá-lo, reler umas páginas...e aí cheguei à uma conclusão muito simples: o livro trata do embate entre a representação do Bem e a do Mal...Só que o Mal, no caso, a baleia, é muito mais que isso, ela é a força interior, que muitas vezes, nos coloca cara a cara com nossos medos, ela é uma alegoria do perseguido que passa a perseguidor, representa o lado obscuro, que muitas vezes não reconhecemos em nós mesmos...representa a procura, a procura insana por nós mesmos, pela força que carregamos em nós, sem nos darmos conta...
Nosso cérebro nos envia códigos, cifras...ando aprendendo a decodificá-lo e hoje em dia, a analisar certos pensamentos e atitudes que tomo.
Ainda não conheço totalmente a minha Moby Dick interior...ela às vezes ainda me prega peças, me faz submergir, me faz pensar que estou me afogando e não tenho saída...
Mas, aos poucos, vou sabendo cativá-la, vou reconhecendo seus olhares, suas armadilhas, seus cantos enfeitiçantes...aos poucos vou aprendendo que, para sobreviver, tanto eu quanto ela, temos que nadar juntas, e na mesma direção.

18 comentários:

G I L B E R T O disse...

Glorinha, querida Glorinha

Que lindo voltar e dar de cara com um comentário literário, amo a leitura acima de quase todas as coisas!

Também li Moby Dick e, realmente, não é uma leitura facil. Melville faz um retrato fiel de como era a navegação naqueles tempos, de como era a caça à baleia e de como era tratada os despojos conseguidos com esta caça. Em alguns momentos, a leitura deixa de ser um romance, para ser essencialmente técnica.

Mas, o romance, é fascinante.
A obsessão do capitao em perseguir a fantástica baleia branca o leva a beira da loucura. Além de tudo o que com propriedade citastes, tem também a metáfora do combate do homem contra a natureza, essa luta insana que tanta vez queremos promover e, assim, como nosso adorável capitão, temos tudo para perdê-la.

A natureza é a força em sua essência, é a origem e o fim - tudo o que somos provém dela, lutar contra ela, fica a mensagem, é sangrar a nós mesmos!

Bom demais estar de volta, e te ler novamente!

Andei enfrentando meus moby discks interiores e ainda os enfrento, mas, acredito que consigo seguir em frente!

Grato por tua paciência e por estares sempre comigo!

um beijo em teu coração!

manuel marques disse...

Há o bem e o mal: o primeiro depende de nós; nós dependemos do segundo .

Beijo.

Beth/Lilás disse...

Sabe, Glorinha, eu acho que é muito bom ler, mesmo que na tenra idade, pois isso vai ajudando-nos a pensar e analisar melhor sobre as coisas da vida. Neste caso, talvez tenha lido o livro imaginando a grande estória, a estória do ponto de vida mágico, lúdico, mas agora, voltando a ela e com a percepão já de adulta, viu de uma forma diferente, sentiu as metáforas e a alegoria que deu sentido a estória.
Penso que será muito interessante você reler este livro agora e criar um novo pensamento a respeito.
Depois me conta ou, melhor, me empresta também. heh
Mas, pelo que vejo e sinto, minha Moby Dick interior parece que encalhou ultimamente, preciso urgente que me empurrem para alto mar. hehe
beijinhos e boa semaninha!

Manuela Freitas disse...

QUERIDA AMIGA,
MUITO INTERESSANTE ESSA TUA INTERPRETAÇÃO DO LIVRO MOBY-DICK. COLOCAS O MAL DENTRO DE TI...COMPREENDO QUE O MAL TAMBÉM ESTÁ DENTRO DE NÓS, MAS TAMBÉM HÁ UM MAL EXTERIOR, ALGO INDEFINIDO E PREOCUPANTE...SEM COR, SEM CHEIRO, SEM SOM...
OS NOSSOS MEDOS...SÃO UM MISTÉRIO EM NÓS, DIFÍCEIS DE EXPLICAR...
LI O LIVRO, VI O FILME...TAMBÉM FIQUEI APAIXONADA POR MOBY-DICK,

UM ABRAÇO DE FORTE AMIZADE,
UMA BOA SEMANA,
MANÚ

Lidia Ferreira disse...

Eu tb não conheço inteiramente a minha Moby dick , mas como voce vou reconhecendo aos poucos
bjs , belo texto amiga

Isadora disse...

Muito bacana a avaliação feita entre o bem e o mal. Apesar de ler bastante não tive a oportunidade de ler este clássico. Quem sabe...

Lucia Cintra disse...

Sabe que eu nunca li esse livro? Agora fiquei curiosa com essa sua analogia. Por isso gosto tanto do seu blog! bjos

Rozani disse...

Oi Glorinha!
Eu nunca li o livro e nem vi o filme.Outro dia passou o filme no canal TCM.Foi num horário que ñ deu pra eu ver. O bacana que a editora Abril está lançando a coleções de clássicos da literatura.Eu e Thais estamos comprando.Bom que o preço é ótimo!Vou ler um monte de clássicos que eu nunca li.Linda a interpretação que vc fez do livro em relação a sua vida.
Bjs,Rozani

Fátima disse...

Olá Glorinha!
Espero que seu dia esteja repleto de raios de sol.

Nossa Moby Dick interior nos pregará peças sempre, pois nunca vamos conseguir decifrar totalmente seu código de barras, pois somos movidos por emoções , e essas são variáveis e surpreendentes.
Fico feliz por ter lido em comentários seus que se encontra melhor.


Fique em paz, e não procure tantas respostas...

Beijo no coração.

welze disse...

oi lindona, sabe minha mãe se chama ou se chamava Aparecida Rosa, mas poucas pessoas a conheciam por esse nome, era mais chamada de VÓ ou de Dona Babi. Mas com coincidências ou não somos nós e não tem pra ninguém. Outra coincidência, nos meus 13 ou 14 anos, li POR QUEM OS SINOS DOBRAM e COMO ERA VERDE MEU VALE. Eram tão grossos e pesados esses livros que para poder le-los, os colocava no colo pois não conseguia segurá-los por muito tempo. E quanto ao outono, nunca gostei muito dessa estação pois a ventania é de lascar e sempre me deu dores de cabeça. Para andar de moto é um horror. Mas na minha vida, é sempre primavera, sempre colorida, clara, vibrante. Com muitas flores de amizade por perto. Isso é tudo de bom, em qq estação da vida. boa semana. Outra coisinha querida, quem nada ao lado de uma Mob Dick está sempre segura e em ótima companhia.

Junia Ansaloni disse...

Amo literatura...Adorei o texto !!! Bjim, bom inicio de semana e outono...

Glorinha L de Lion disse...

Gilberto, que saudades de teus comentários! São sempre tão pertinentes, complementares! Realmente, o livro é tudo isso que diz...aprendi tanto sobre as cachalotes quando o li...e sobre a covarde pesca às baleias que até hoje subsiste...e naquele tempo era cara a cara com o bicho, arpões em punho...tinham que ser muito machos!
Adoro quando vem aqui, que bom que voltou, espero que com força total!
Beijos querido amigo!

Glorinha L de Lion disse...

Manuel, meu caro amigo,pensas assim? Penso justamente o oposto...o mal depende de nós e nós dependemos do bem...ou será que não entendi?????
Bjs.

Minha querida amiga Beth, esse acho que vou ter ciúmes de te emprestar...edição de luxo, primorosa, livro pra vida toda...será que tenho coragem de emprestar pra alguém??/ Morro de ciúmes dos meus livros, já até escrevi sobre isso num post...mas prometo que vou pensar...hehe...
Bjs.

Amada Manu, claro que o mal existe em nós...somos yin e yang, sombra e luz...já imaginou todos bonzinhos e cordatos...o mundo ia ser muito chato!
Bjs.

Glorinha L de Lion disse...

Lídia, Isadora, Lúcia, Rozani...vale muito a pena ler...um clássico é um clássico e é atemporal...sempre é tempo de ler e reler.
Bjs.

Fátima, sou um ser movido à paixão...a procura me move, me instiga...tenho que estar apaixonada sempre...ou por algo, ou por alguém ou por minhas questões...não há como ser diferente...vou estar sempre buscando...se algum dia encontrarei, não é essa a intenção...
Bjs e grata por seu comentário.

Glorinha L de Lion disse...

Welze, minha amiga do coração, sabe como ninguém ler nas minhas entrelinhas...por isso somos amigas até debaixo dágua!
Beijão.

Glorinha L de Lion disse...

Junia, obrigadíssima, querida e uma ótima semana pra vc tb! Bjs

cantinho she disse...

Oie! Ô fotinho show essa! Bem, nunca li esse livro, mas eu amo reler livros, eu acredito que interpretamos os livros de formas diversificadas de acordo com a época que fazemos a leitura, enfim... sempre vale uma releitura! ;)
Beijooooooo

Cucchiaio pieno disse...

Amiga
Este post é lindissimo, obrigada por compartihar.

Tua forma nua e poética de escrever me encanta!

Bjos no coraçao
Léia